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Biblioteca de Poesiarepente · cordel · cantoria
Ivanildo Vila Nova

Tributo a Zé Marcolino

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Seu ofício era a arte de cantarcatedrático nas aulas da naturacinturinha de abelha era a cinturadas morenas nas noites de luar.Afiou-se na pedra de amolar,mas a pedra da morte é afiada.Ficou o barro batido da latada,sem as marcas dos pés do dançarino.Uma vaca matou Zé Marcolinoe eu não dava José numa boiada.

Bira e Fátima não param de gemer.O serrote é agudo e está de provacom o tempo secou caçimba novanunca mais o seu dono vai encher.Quem botou Severina pra moer,foi moído na última caminhada.E a limpeza da sala rebocadaé a cara do povo nordestino.Uma vaca matou Zé Marcolinoe eu não dava José numa boiada.

Foi parceiro de Lua e gravou discosuas músicas passeiam por aí.Triste pássaro carão do Caririque voou procurando o São FranciscoUm vem-vem voejando tão ariscoquando achou Pernambuco, fez morada.Outro mito pisou Serra Talhadae fez-se pó junto ao pó de VirgulinoUma vaca matou Zé Marcolinoe eu não dava José numa boiada

Foi a vaca o motivo desse chorosem querer nos causou tanta saudadeUm poeta tem mais utilidadedo que carne de vaca, leite e couro.Era filho de Sumé e valeu ourocriatura telúrica e inspiradaEscreveu um poema pra estradae sucumbiu nas estradas do destino.Uma vaca matou Zé Marcolinoe eu não dava José numa boiada.

Toque num verso para ouvir a partir dele. Leitura em voz sintética.

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