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Biblioteca de Poesiarepente · cordel · cantoria
Job Patriota

Toda sombra de pau, que um boi descansa

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A paisagem no campo: que beleza,Onde Deus escreveu o seu poema!Cada árvore parece com um cinema,Pelo filme da mão da natureza.Pelo gado de toda redondeza,O capim, pelo chão, fica pisado;Como todo consolo, machucado,Tem o cheiro do hálito da criança.Toda sombra de pau, que um boi descansa,Deixa um cheiro de pasto mastigado.

O boi manso na luta mais insana,Quando pode livrar-se do carreiro,Vai sentir o frescor do marmeleiroE o perfume da flor de jitirana;Num recanto, afastado da savana,Ele vai ruminar mais sossegado,Escutando um sussurro magoado,Que escapa da voz da brisa mansa.Toda sombra de pau, que um boi descansa,Deixa um cheiro de pasto mastigado.

Toque num verso para ouvir a partir dele. Leitura em voz sintética.

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