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Biblioteca de Poesiarepente · cordel · cantoria
Lourinaldo Vitorino

Violas de luto

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As violas de luto soluçandoDão adeus ao Bocage do repente,Um fenômeno de arte, um expoente,Que de cinco a seis décadas improvisandoSua voz de trovão saiu rasgandoModulando a palavra em cada notaPra cultura um nocaute, uma derrota,Um desastre, uma perda, um golpe horrendo,Enlutado o repente está perdendoOTACÍLIO BATISTA PATRIOTA.

Para a arte esse gênio é o auxílioQue Deus deu de presente a todos nósSeu baião sonoroso e sua vozSoam agora no túmulo de Hercílio,Com certeza a figura de OTACÍLIONesse instante viaja em cada menteNum cordel de estrelas reluzenteCom seu porte de oficial romanoQual a John Wayne no Oeste americanoFirme, austero, implacável e surpreendente.

Na arena do verso improvisadoOTACÍLIO passou por toda a provaEnfrentou Zé Faustino Vilanova,A caneta estratégica do passado,Quando Pinto se impôs, foi consagrado,Duelando com Dimas e HercílioA viola era o único utensílioQue usava no palco esse giganteSeu revólver era o verso fulminanteQue impunha a grandeza de OTACÍLIO.

O repente sem OTACÍLIO chora,As viloas de luto cantam e tremem,As sextilhas satíricas clamam e gemem,Os sertões no silêncio nesta horaOuvem o povo que angustiado implora,Que Deus abra o portão do céu divino,E que São Pedro soluce e toque o sinoQue a terra chorando viu perderUm brilhante, importante ser,Condutor do repente nordestino.

Toque num verso para ouvir a partir dele. Leitura em voz sintética.

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