Peleja entre Manoel Xudu e Diniz Vitorino (natureza e Criação)
Manoel XuduVoei célere aos campos da certezaE com os fluidos da paz banhei a mentePra falar do Senhor onipotenteCriador da suprema naturezaFez do céu reino vasto, onde a belezaEdifica seu magno pedestalInfinita mansão celestialOnde Deus empunhou saber profundoPra sabermos nas curvas deste mundoQue Ele impera no trono divinal.
Diniz VitorinoVemos a lua, princesa sideralNos deixar encantados e perplexosInundando os céus brancos de reflexosComo um disco dourado de cristalFace cálida, altiva, lirialInspirando canções tenras de amorJovem virgem de corpo sedutorBem vestida num “robe” embranquecidoDe mãos postas num templo coloridoEscutando os sermões do Criador.
Manoel XuduAstros louros do céu encantadorQuando um nasce brilhando, outro se someCada astro brilhante tem um nomeUm tamanho, uma forma, brilho e corLacrimosos vertendo resplendorComo corpos de pérolas enfeitadosEntre tronos de plumas bem sentadosVigiando as fortunas majestosasQue Deus guarda nas torres luminosasQue flutuam nos páramos azulados.
Manoel XuduOlho os mares, os vejo revoltadosQuando o vento fugaz transtorna as brumasE as ondas raivosas lançam espumasConstruindo castelos encantadosAs sereias se ausentam dos pecadosQue nodoam as almas dos humanosTiram notas das cordas dos pianosQue o bom Deus ocultou nos verdes maresE gorjeiam gravando seus cantaresNa paisagem abismal dos oceanos.
Manoel XuduE os pássaros maestros soberanosSão os músicos alados das florestasNum eterno concerto de serestasNão veem como vão passando os anosSão ingênuos, não sentem desenganosPois tem n’alma astúcias de criançasGalgam beijos das doces brisas mansasSugam néctar que a flor solta nas relvasE se evolam cantando em plenas selvasA canção virginal das esperanças.
Diniz VitorinoAs abelhas pequenas, sempre mansasCom as asas peludas e ronceirasVão em busca das pétalas das roseirasQue se deitam no colo das ervançasCom ferrões aguçados como lançasPelo cálix das flores bebem essênciaFazem mel que os mestres da ciênciaCom os séculos de estudo não fabricamPorque livros da terra não publicamOs segredos reais da providência.
Manoel XuduNeste mundo não há maior ciênciaDo que ver uma aranha se bulindoCom perícia maestra construindoAlicerces da sua residênciaÉ pequena, tem pouca resistênciaMas trabalha vencendo os empecilhosSuperando carrascos e caudilhosQue assassinam, devoram, fazem guerraMas não cavam sequer barro na terraPra fazer um casebre pra seus filhos.
Diniz VitorinoQuase atônito ensino pra meus filhosQue os trovões retumbantes me emocionamSão fuzis carregados que detonamSem cartuchos, culatras, nem gatilhosE o relâmpago aceso empresta brilhosAos céus negros nas noites tenebrosasOs coriscos, as tochas luminosasQue caindo das nuvens carregadasSe sepultam nas fendas apertadasNas entranhas das grutas pedregosas.
Toque num verso para ouvir a partir dele. Leitura em voz sintética.