Os fenômenos da beira do mar
O mar se orgulha por ser vigorosoForte e gigantesco que nada lhe imitaSe ergue, se abaixa, se move se agitaParece um dragão feroz e raivosoÉ verde, azulado, sereno, espumosoSe espalha na terra, quer subir pra o arSe sacode todo querendo voarRetumba, ribomba, peneira e balançaNão sangra, não seca, não para e nem cansaSão esses os fenômenos da beira do mar.
O próprio coqueiro se sente orgulhosoPorque nasce e cresce na beira da praiaNo tronco a areia da cor de cambraiaSeu caule enrugado, nervudo e fibrosoSe o vento não sopra é silenciosoNem sequer a fronde se ver balançarPorém se o vento com força soprarA fronde estremece perde toda calmaAs folhas se agitam, tremem e batem palmaPedindo silêncio na beira do mar
Não há tempestades e nem furacõesChuvadas de pedras num bosque esquisitoQuedas coriscos ou aerólitoTiros de granadas de obuses canhõesJuntando os ribombos de muitos trovõesQue tem pipocado na massa do arCascata rugindo serra a desabarNuvens mareantes, tremores de terraEstrondo de bombas, rumores de guerraQue imite a zoada das águas do mar.
Toque num verso para ouvir a partir dele. Leitura em voz sintética.