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Biblioteca de Poesiarepente · cordel · cantoria
Geraldo Amâncio

Se eu pudesse comprava a mocidade

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Se eu pudesse comprava a mocidadeNem que fosse pagando a prestação

A primeira paixão eu tive cedoContra nós a mãe dela se opôsProibiu o namoro entre nós doisNosso amor virou cofre de segredoQuando eu fui lhe beijar foi tanto medoQue eu tremia cabeça, pé e mãoEla toda gelada de emoçãoAssombrada com essa intimidadeSe eu pudesse comprava a mocidadeNem que fosse pagando a prestação

Olha a tela do tempo e me torturoMostra o filme do meu inconscienteMeu passado maior que o meu presenteMeu presente maior que o meu futuroSe a velhice é doença eu não me curoQue os três males que atacam o anciãoÉ desprezo, carência e solidãoE é difícil escapar dessa trindadeSe eu pudesse comprava a mocidadeNem que fosse pagando a prestação

Eu andava aprumado e fiquei mancoHoje o tempo me enjeita e me repurgaMinha pele era lisa e criou rugasMeu cabelo era preto e ficou brancoEntre as quatro paredes que me trancoAmarrado nas cordas da exclusãoEu procuro encontrar respiraçãoMas o fôlego só vem pela metadeSe eu pudesse comprava a mocidadeNem que fosse pagando a prestação

Entre juras eternas e velhos instantesJá pesquei ilusões, festejei bodasDas sereias que eu tive perdi todasDez por cento não sou do que fui antesCortei mares de espumas flutuantesCom a força que tem o furacãoCom o tempo virei embarcaçãoÀ deriva nas ondas da saudadeSe eu pudesse comprava a mocidadeNem que fosse pagando a prestação

Toque num verso para ouvir a partir dele. Leitura em voz sintética.

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