Soneto de maldição contra si mesmo, em tom de desespero. Sem data nem local na fonte (que cita Sonetos de Cantadores).
Rimas conferidas: atritos / gritos / proscritos / infinitos (A), movam / dissolvam / comovam / promovam (B), perigosas / rosas (C), leito / peito (D), calma / alma (E). Esquema ABBA ABBA CCD EED, sem problemas de rima. Em "perigosas" / "rosas", a rima é perfeita pelo som (-osas).
Métrica: o poema não é regular. Os quartetos tendem a decassílabos, mas vários versos passam disso, e os tercetos oscilam muito (de 9 a mais de 12 sílabas):
- Verso 1 ("Pulverizem-se meus ossos em mil atritos"): 11 sílabas, no mínimo.
- Verso 3 ("Os meus gânglios linfáticos se dissolvam"): 11 sílabas, no mínimo.
- Verso 6 ("Dos meus prantos os irmãos não se comovam"): 11.
- Verso 7 ("Os espíritos malignos se promovam"): 11.
- Verso 9 ("Todos os cânceres, e moléstias perigosas"): 13 ou mais.
- Verso 10 ("Me cubram de manchas cor-de-rosas..."): 9.
- Verso 12 ("Os fantasmas do mau me roubem a calma"): 11.
- Verso 13 ("Satanás estrangule minha alma"): 9.
Os versos 2, 4, 5, 8 e 11 medem 10.
Possíveis erros da fonte, mantidos como vieram: "ouças" no verso 5 (forma não dicionarizada; talvez "orelhas" ou "ouvidos"), a vírgula em "cânceres, e moléstias" e "mau" no verso 12 (o sentido pede "mal").