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Biblioteca de Poesiarepente · cordel · cantoria
Bráulio Tavares

Alicerce da Terra

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Meu canto é quem guia o impulso da ondae faz o oceano emitir seu marulhomeu canto supera do mar o barulhoe faz com que a tempestade se esconda...Meu canto é que exige que o mar lhe respondae chama a tormenta pra lhe acompanharno dia que emudecer meu cantara própria garganta das águas se emperra...E eu faço tremer o alicerce da terracantando galope na beira do mar

O vento passando através duma mataarranca das árvores suas folhagensa força de um rio contido entre margensliberta-se quando ele cai em cascata.Toda natureza tem a força exataque leva o mundo a se transformarnenhum ser vivente consegue escaparà lei natural que governa e não erra...E eu faço tremer o alicerce da terracantando galope na beira do mar

Se um dia você passeando na praiaouvir um concerto solene e profundocomo se houvesse no ventre do mundouma orquestra que lá se oculta e ensaia,você feche os olhos, se benza e caiade joelhos na areia e comece a rezar,pois quando essa voz principia a soarnos céus e no inferno um portão se descerra...Sou eu abalando o alicerce da terracantando galope na beira do mar

O mar é um cofre de imensos segredosnaufrágios, tormentas, batalhas e doresdesastres, mistérios, miragens, terroressepulcros, cavernas, abismos e medos...A terra é uma arena de tristes degredosmiséria, doença, infortúnio e penarmaldade, violência, tortura e azarcobiça, traição, assassínios e guerra...E eu faço tremer o alicerce da terracantando galope na beira do mar

Toque num verso para ouvir a partir dele. Leitura em voz sintética.

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