O poeta e o passarinho
O poeta e o passarinhosão ricos de inteligênciasimples como a naturezaeternos como a ciênciaestrelas da liberdadeperegrinos da inocência.
Herdeiros da providência,um no chão, outro voando,um pena com tanta pena,outro sem pena penando,um canta cheio de pena,outro sem pena cantando.
O poeta sofre quandovê um pobre passarinhonas grades de uma gaiolasem ter direito a seu ninhosão iguais no sofrimentoo poeta e o passarinho.
O poeta afina o pinhono viveiro da gargantao passarinho poetapor entre as folhas da plantasem viola metro e rimasó Deus sabe o que ele canta.
Do poeta a musa é santasanta musa da poesiapassarinho canta e voano espaço rodopiafaz ziguezigue no corpobrincando com a ventania.
Ao romper de um novo diao passarinho gorjeiacanta o poeta a saudadeno clarão da lua cheiafaz da viola um pianoda garganta uma sereia.
O poeta traz na veiaos segredos do alémquando canta de improvisonão pergunta de onde vemo poeta e o passarinhonão sabem o valor que tem.
O poeta vive semódio, maldade e rancor,ainda sendo traídoperdoa o seu traidor,canta alegre o passarinhosublimes canções de amor.
O poeta e o beija-florambos vivem sem ciúmeum que canta, outro que voada planície ao alto cume,um de versos perfumadooutro colhendo o perfume.
Nas camadas do verdumeo passarinho vegetanão disse nem a metadedessa dupla tão completa,do poeta ser humanodo passarinho poeta.
Toque num verso para ouvir a partir dele. Leitura em voz sintética.