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Otacílio Batista · A Voz do Uirapuru

O valor que o peido tem

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O peido é bom toda horaSem peido não há quem passeA criança quando nasceTanto peida como choraUm peido ao romper da auroraEu não troco por ninguémHá noites que eu solto cemPeidos grandes e pequenosJá conheço mais ou menosO valor que o peido tem

Um velho já moribundoNas agonias da morteSoltou um peido tão forteQue se ouviu no outro mundoO peido gritou no fundoQue só apito de tremO velho sentiu-se bemLevantou-se no outro diaDizendo a quem não sabiaO valor que o peido tem

Pela porta do bufantePara não morrer de volvoDiariamente eu devolvoPeido grande a todo instanteO sujeito ignoranteNão me compreende bemFecha a porta do sedemDeixa o peido apodrecerEsse morre sem saberO valor que o peido tem

Um peido silenciosoPor baixo de um cobertorÉ tão grande o seu valorQue descrevê-lo é custosoCheira mais que o mais cheirosoVale de JerusalémAs roseiras de SiquemAs savanas do SaaraNada disso se comparaO valor que o peido tem

Ofende muito a pressãopeido grande encarceradoDeixa o corpo aliviadoDepois que sai da prisãoAs veias do coraçãoControlam-se muito bemSente o coração tambémUma alegria sem parNinguém sabe calcularO valor que o peido tem

Uma dor que faz mudarA cadencia dos ouvidosSão os peidos recolhidosQue você não quis soltarNão vá se... prejudicarEm respeito a seu ninguémO velho MatusalémQuase mil anos viveuPorque toda vida deuO valor que o peido tem

Um negro foi se casarOu se casava ou morriaPeidou tanto neste diaQuase derruba o altarA noiva foi reclamarFindou peidando tambémO padre disse meu bemNinguém dar mais do que euO valor que o peido tem

Peido azedo de água sodaFede a casca de limãoE de jabá com feijãoPassa folgado na rodaPeido nenhum se encomodaCom censuras de ninguémPresta um favor quando vemAliviar quem padeceÉ quando a gente conheceO valor que o peido tem

Peido fedendo a chuléNum samba de madrugadaSai com tanta misturadaQue ninguém sabe o que éMais um peido de PeléJogador que vive bemPassa veloz no vintémNão há goleiro que pegueNenhum bom juiz que negueO valor que o peido tem

Que prazer eu não teriaSe um peido se apresentasseBem fedorento e peidasseDeixando a fotografiaMas o peido não confiaNos olhos de seu ninguémSão mistérios do alémNão posso compreenderMas vale a pena saberO valor que o peido tem

Um peido em pleno verãoCheirando a cu de veadoTava sendo arrematadoNuma festa de leilãoQuando chegou num milhãoNão quis mais gritar ninguémNaquilo o prefeito vemDizendo a honra me cabeMinha prefeitura sabeO valor que o peido tem

Dizia o velho AbranhãoPara seu neto IsauO peido agradece ao cuDepois que sai da prisão,Peidava um tal de SansãoPelado, e cego de guiaTemendo a onda braviaMoisés peidou no oceanoE o papa no VaticanoSó peida uma vez por dia

Alguém disse que JacóQuando casou com RaquelPassou a lua de melPeidando de fazer dóEsse parente de lóEra genro de Labão,Davi, pai de SalomãoPoeta, Rei e pastorPeidava fazendo amorNa cama fria do chão.

O homem velho esmoreceAssim que a noite apareceSe deita e faz uma preceLá num canto da parede,Meia noite se levantaCom secura na gargantaPega um caneco de frandeVai ao pote mata a sedeSolta quatro peido grandeVolta cegado prá rede.

Peido fino é safadezaPeido alto é cretinicePeido suave é meiguicePeido baixo o é sutilezaSilencioso é firmezaPeido brando indica pazO grosso é dos anormaisSempre indica frouxidãoMas chegando a perfeiçãoO homem não peida mais.

Toque num verso para ouvir a partir dele. Leitura em voz sintética.

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