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Zé da Luz · Zé da Luz

O Drama do Nordestino

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Sertanêjo nordestino!Nordestino meu irmão!Deus marcou seu distinoNuma palavra – SERTÃO

Tu tivesse o teu batismoNa hóra do nascimentoNa Pia do HERUÍSMOCum o nome de SUFRIMENTO!

Eu conheço a tua historiaNordestino meu irmão!Trago vivo na mimóraO drama do teu sertão!

Eu vi a Vida e a MorteLutando num grande jôgo:_ Eu vi a sêca no Norte,O sertão pegando fôgo!

_ Eu vi a terra queimada,Vi o chão torrado e preto,Vi as arve disfoiádaParicída uns isquelêto!

_ O pingo do meio-día!O Só tinindo de quente!A terra qui não isfríaNa sola dos pés da gente!

Num disafio au brazêro,Cumo uns resto de isperança,Eu vi os véio imbuzêroAonde o gado discança!

Aonde o boi véio múgeSem te pasto prá cume,Se alembrando da babúgeQuando cumeça chuvê.

_ Vi láguima de dô pingandoDos óio triste de um bôi,Cum fome e sêde alembrandoO verde qui já se fôi...

_ Vi na bêra das istráda,As leva de arritirante,Se arrastando instrupiádaPra outras terra distante!

Quáge môrto de fadiga,Arquejando de cansáço,Cum o couro da barrigaApregado no ispinháço.

_ Eu vi as mãe sertanêjaCum os peito mágo, muchinho,Sem uma gôta qui sêjaDe leite prá seu fiínho!

_ Vi as cruz dismanteláda,Ignorada e sem nome,Ponto finá na jornádaDa ronda nêga da fome!

Eu vi no céu avuando,As aza nêga e tiranaDos arubú farejando,O chêro de carne humana!

_ Iscutei nas tarde longaCumo à chora seu distino,O Grito das ArapongaImitando a voz do sino!

_ Tombém vi de vêz im quando,Na viração das manhã,Passando de bando im bando.Os bando de arrebaçâ!

_ Eu vi tôda a Naturêza,Tão triste, qui as vêz inté,Me alembráva da tristêzaDe “uma casa sem muié”!

O Só redondo e vermêio,Bejando a crista da serra,Paricía um grande ispêioRifritindo a dô da terra!

Prô lado qui o Só murria,O Céu todo avermeiádo,Cá de báxo, paricíaUm táxo véio ariádo!

E quando as noite caía,Cubrindo de luto os campo,Nem prú sina não se viaUm sinázinho de relampo!

A luz branca e singéla,Tinha a tristêza de um ai!Da môça qui foi donzélaE véve inganando os pai!

Im luta cum a NaturêzaO nordestino não cancã:_ De día tudo é tristêza,De noite tudo isperança!

E nessa constante lida,Na luta de vída e morte,O sertão é a própria vídaDo sertanêjo do Norte!

É êsse o triste cenároDo DRAMA DO NORDESTINO,Pintado pelo operároDa mão nêga – O Distino!

***

Sem tê susto e sem receio,Nordestino meu irmão,Eu vou te dá um conceioDe todo meu coração:

_ Não sáia do teu sertão.Não venha nunca prá cá,Atraz da grande inluzãoDa Capitá Federá!

Eu vivo aqui e tou vendoUma coisa qui eu repróvo:_ O nordestino sofrendoNo Campo de São Cristóvo!

Dispôis de longa viáge,Pagando passáge cara,Tá cumo uns bicho servágeDecendo dos “Pau-de-arara”!

Na Capitá Federá,Tenho visto brasilêroDizê qui o sertão só dá,Assarcino e cangacêro!

Cangacêro e assarcino!..._ O qui faltou no sertão,Foi livro prá Antonho Sirvino,Justiça pra Lampião!

Sertanêjo de alma franca,Vorta lá prô teu sertão,Cumo vorta a Aza-brancaUvindo a voz do truvão!

Tua presença confortaTua muié, teus fiínho.“Ninguém se perde na vortaMêrmo vortando sòzinho”!

É mió se passá fome,Lá na terra onde nacêmo,Qui sê iscravo dos hômeNas terra qui não cunhecêmo.

Vorta logo meu irmão.O inverno cumeçou.Ta chuvendo no sertão,Aza- branca já vortou!

Eu daqui, faço um apêloAos hôme de pusição:_ Mais conforto, mais disvêloPrôs cabôco do sertão!

Dêxe o macio dos assentoDa Câmara dos Diputádo,E vá vê o sufrimentoDo cabôco frageládo!

Esse mêrmo frageládoQui ispera proteção,Foi quem fez os DiputádoE os Senadô da Nação!

Vá contemprá a imáge,Do cabôco qui não comeE tem a santa corágeDe morre de sêde e de fome!

Vá no oitão das tepéraAonde a dô e luto mora,Abra o currá da mizéraE bote a fome prá fóra!

Mas não faça pur ismóla.Faça pêlo coração.Quem faz o bem se consólaCum o premio da gratidão!

Repare qui o eguísmoNão dece prá sipurtura,E abre um terrive abísmo,Na alma das criatura!

O eguísmo se méde,Na diferença qui há,Do triste oiá de quem péde,Para os óio de quem dá!

Mande rasga mais istráda,Mande fazer mais açudeE dê a sertanêjáda,Barriga cheia e saúde!

Pôis apezá do distinoE da sorte qui êle tem,O cabôco nordestino,É BRASILEIRO TOMBÉM!!!

Toque num verso para ouvir a partir dele. Leitura em voz sintética.

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