Saudade
(À Mazé)
Mandar, em pensamento, além, pelo infinito,A pluma de um desejo, a voz de um sonho aflitoDo amor que naufragou nas cerrações do pranto.Recompor, um a um, no cérebro vazio,Uns momentos de sol… um céu azul de estio…Uns beijos, uma jura, uma promessa, um canto!
Sufocar dentro d’alma o pássaro das ânsiasQue deseja espalmar nas siderais distânciasA plumagem do afeto a gotejar lamentos…Dirigir para além, como visões dispersas,Emoções, madrigais, palpitações, conversasQue falaram de amor — ao diapasão dos ventos!
Sentir em redemoinho as folhas secas, lívidasDa derradeira fronde… inolvidáveis dívidasQue o peito contraiu quando alguém disse ADEUS!Guardar no solo ardente da alma descampadaAs sombras do rochedo… a cicatriz magoadaQue a dor deixa no olhar dos tristes Prometeus!
Toque num verso para ouvir a partir dele. Leitura em voz sintética.