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Biblioteca de Poesiarepente · cordel · cantoria
Diniz Vitorino

Eu cantador

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Eu sou o pássaro cantor,A patativa de gola,O colibri sem gaiola,Que, além da humanidade,Faz da garganta um piano,Para, nas verdes ramagens,Compor em versos selvagens,As valsas da liberdade.

A cigarra da florestaSempre foi minha irmã gêmea…Ela, a selvagem boêmia;Eu, o boêmio cantor.Ela, cantando nos bosques,Eu, nos sertões ressequidos,Transformo feios gemidosEm liras puras de amor.

Sou um ídolo imortal.Sou caboclo das mãos grossas.Transformo humildes palhoçasEm bonitos pavilhões.Meu pinho, quando soluça,Deixa as mulatas tostadas,Estáticas, fulminadasPor circuitos de emoções.

É lindo cantar tranquilo,Da maneira como canto,Sem incomodar-me tanto,Com fortunas obtusas,E fazer d’alma um refúgioPara as ninfas virtuosas,Do peito um berço de rosasPara o repouso das musas.

Toque num verso para ouvir a partir dele. Leitura em voz sintética.

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